illumanu:

15th century, illuminated by Flemish masters

Bibliothèque de l’Arsenal

Ms-5070 réserve: Decameron by Giovanni Boccaccio (French translation by Laurent de Premierfait)

fol. 23r

http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b7100018t.r=.langEN

A young monk lapses into seducing a young woman and is secretly observed by an elder abbot. However, he knows that he has been seen and so leaves, on pretense of finishing a task, and gives the key to his room to the abbot, who then goes to see the girl for himself. On seeing the girl, the abbot then is seduced. The monk, who hid watching all of this, uses it to balk prosecution. The monk and the abbot quickly rush the woman out of the monastery and often bring her back in.

- from wikipedia

"Ah, sim! O marido!" Só então, pela primeira vez, Vrónski compreendeu com clareza que o marido era uma pessoa ligada a ela. Sabia que Anna tinha um marido, mas não acreditava na sua existência e só acreditou inteiramente nisso quando o viu, com a sua cabeça, os seus ombros e as suas pernas vestidas em calças pretas; sobretudo quando viu como o marido, com um sentimento de propriedade, tomou calmamente Anna pelo braço. Depois de ver Aleksiei Aleksándrovitch, com seu fresco rosto petersburguês e sua figura implacavelmente segura de si, com o chapéu de aba redonda e as costas ligeiramente arqueadas, Vrónski acreditou nele e experimentou uma sensação desagradável, semelhante à que experimentaria um homem atormentado pela sede e que, ao alcançar uma fonte, encontra ali um cão, uma ovelha ou um porco, que já bebeu e turvou a água.

Anna Kariênina, Tolstói, tradução de Rubens Figueiredo.

trecho da Canção de Grisóstomo (da Primeira Parte de D. Quixote)

Mata um desdém, destrói a paciência,

ou verdadeira ou falsa, uma suspeita;

matam os zelos* com rigor mais forte;

desconcerta uma vida longa ausência;

contra um temor de olvido não aproveita

firme esperança de ditosa sorte…

Em tudo há certa, inevitável morte;

mas eu, milagre nunca visto!, vivo

zeloso, ausente, desprezado e absorto

nestas suspeitas que me têm já morto,

e num olvido em que meu fogo avivo,

e, entre tantos tormentos, nunca alcança

o meu olhar nem sombra de esperança,

nem eu, desesperado, a procuro,

antes, por me extremar nesta querela,

estar sem ela eternamente juro.

Pode-se, porventura, em um instante

esperar e temer, ou é bom fazê-lo

sendo as causas do temor mais certas?

Tenho, se o vil ciúme está diante,

de cerrar estes olhos, se hei de vê-lo

pelas feridas da minh’alma morta?

Quem par em par não abrirá a porta

para a desconfiança, quando mira

descoberto o desdém, e as suspeitas,

oh, amarga conversão!, verdades feitas,

e a verdade mudada em vã mentira?

Oh, no reino do amor feros tiranos

zelos!, ponde-me um ferro** nestas mãos!

Dá-me, desdém, uma torcida soga***.

Mas, ai de mim!, que, com cruel vitória,

vossa memória o sofrimento afoga.

….

* zelos: ciúmes.

** ferro: arma de ferro.

*** soga: corda grossa de esparto, com que geralmente se fazem os enforcamentos.

Um dos episódios mais belos de D. Quixote I é o capítulo dedicado à Canção de Grisóstomo, jovem moço que morreu de amores por Marcela, a pastorinha de sublime beleza. Acima, alguns versinhos, em tradução de Carlos Nougué e José Sánchez, que circula no Brasil em edição da Abril Coleções (2010).